terça-feira, 10 de setembro de 2013

Pessoas com Síndrome de Down no Mundo da Beleza

10/09/2013 - 03h30

Projeto ensina pessoas com síndrome de Down a atuar no mundo da beleza


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ROBERTO DE OLIVEIRA
DE SÃO PAULO

Cabelo tipo Chanel, óculos moderninhos, Bárbara Sagula espia, por cima da armação, dedos deslizarem sobre cabelos longos, o secador revirar mechas, pentes e escovas remodelarem penteados. Presta atenção às clientes.
São quase 18h e o salão Blend, no Itaim Bibi (na zona oeste de São Paulo), está agitado. Bárbara também.
"A pior experiência do curso que estou fazendo foi ter que lavar os cabelos de uma boneca", diz, séria, para emendar com um sorriso: "Prefiro a cabeça do Rodrigo", conta, referindo-se a um dos instrutores, Rodrigo Nóbrega.
Bárbara, 30, e outros 11 estudantes de 17 a 47 anos fazem parte do "Beleza em Todas as Suas Formas", que capacita pessoas com síndrome de Down para atuar como auxiliares em salão de beleza.
O projeto começou no início deste ano com uma equipe multidisciplinar que se debruçou sobre o seguinte tema: o que é belo?

Pessoas com síndrome de Down no mundo da beleza

 
Fabio Braga/Folhapress
Grupo de pessoas com Síndrome de Down participam de treinamento em salão de cabeleireiro para atuar como ajudantes e atendentes
"O primeiro passo foi desconstruir os conceitos preestabelecidos pelo mercado da moda", explica Kátia Coutinho, diretora da Alfaparf Group, empresa de cosméticos italiana que, ao lado do Instituto Meta Social, desenvolve o trabalho.
Um dia na semana, eles passam por aulas práticas e teóricas por quatro horas e meia. Cartoons ajudam a construir diferentes situações vivida num salão de beleza.
Por meio deles, os estudantes aprendem tarefas como sentar direito, locomover-se, atender um cliente, lavar a cabeça de uma madame, deixar a mesa do cabeleireiro arrumada e limpa etc.
A primeira turma se forma em dezembro. Hoje, seis estudantes paulistanos terminam mais uma maratona: ajudar cabeleireiros a fazer a cabeça de modelos na Beauty Fair, em São Paulo.
Para o ano que vem, a meta é capacitar 156 alunos com deficiência intelectual em cinco capitais (mais informações em belezaprojeto.org).
"A gente sabe que pode haver rejeição. O curso inclui vivência no salão, onde simulamos uma série de situações nas quais a cliente não quer ser atendida", explica o cabeleireiro Roberto Martins, 50.
Mãe de uma menina com síndrome de Down e integrante do projeto, a psicóloga Andréa Barbi, 43, explica que os alunos enfrentam situações reais de rejeição e preconceito. "Confie em suas potencialidades", ensina.
Mônica Helena Babbi, 44, uma das alunas, trabalhou dois anos num salão no Morumbi. Diz não se importar em lavar cabelo, do tipo que for. "Só fico muito triste em ainda ter que lidar com o preconceito."
 
Fonte:
 
Site do Projeto
 
 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Campanha de Arrecadação de Livros Literários


2º Seminário de Educação para o Desenvolvimento Local - EACH USP

Em São Paulo, seminário propõe soluções para a zona leste

                                                                                                             


O censo demográfico de 2010 revelou que a zona leste de São Paulo tem aproximadamente quatro milhões de habitantes, número suficiente para superar a população total de um país como o Uruguai (3,4 milhões de habitantes). Mas enquanto o país vizinho vive um momento de intenso debate democrático – legalizando a comercialização estatal da maconha e o casamento gay –, a zona leste segue com inúmeros problemas sociais a serem resolvidos.
 
Leia mais
Mobilização da zona leste de São Paulo aposta na educação para resolver problemas locais
De acordo com censo realizado pela Prefeitura de São Paulo em 2008, a densidade demográfica da região leste atinge 18.222 habitantes por quilômetro quadrado em bairros como o Itaim Paulista (no Uruguai esse índice beira 20 hab/km²). No tocante ao rendimento, mais de 20% da população de bairros como Guaianazes e Cidade Tiradentes possui renda familiar per capita inferior a meio salário mínimo.
É nesse contexto que o seminário “Educação como Desenvolvimento Local”, realizado na última sexta-feira (30/8) no campus leste da Universidade de São Paulo (USP Leste), reuniu cerca de 200 participantes – entre professores, alunos e diretores das escolas da região, pesquisadores e membros de organizações da sociedade civil – para discutir o papel da educação no desenvolvimento e na implementação de melhorias nos equipamentos públicos locais.
 
 
 


Participantes se dividiram em 12 grupos de trabalho.
 
Ações prioritárias
 
Desde o início, os organizadores afirmaram que o seminário não pretendia diagnosticar problemas, mas sim discutir ações pertinentes às suas soluções. Divididos em 12 grupos de trabalho, os participantes deveriam formular propostas para temas como transporte, comunicação, economia local, saúde e gestão escolar.
Segundo o professor da Faculdade de Educação da USP e um dos organizadores do seminário, Elie Ghanem, o resultado será apresentado ao poder público, “como um sinal de que aqui foram debatidas e produzidas ideias e proposições para o desenvolvimento da zona leste. É uma perspectiva que me parece adequada a uma ideia de democracia”, declarou.
 
Falta de investimentos
 
Dos 96 distritos existentes em São Paulo, 32 (ou um terço do total) se encontram na zona leste. Entretanto, quando o assunto é investimento, a região não é prioridade da prefeitura. Com mais de 35% dos habitantes da cidade, a zona leste oferece 575 mil postos de trabalho (ou 14,5% do total de São Paulo) e, ao contrário do que pretende o poder público, poucas empresas conseguem incentivos fiscais para se instalar na região. Enquanto o Itaquerão, novo estádio do Corinthians, obteve isenção fiscal de R$420 milhões, em oito anos apenas cinco empresas obtiveram pouco mais de R$ 1 milhão em incentivos.
Marina Dugueira, educadora social presente no evento, afirmou que numa realidade como aquela, os conceitos de economia solidária devem ser ensinados desde cedo nas escolas. “Precisamos criar um modelo que desenvolva a economia de forma satisfatória para que todos tenham uma vida digna e possam expressar o próprio potencial.”
As dificuldades econômicas impactam diretamente a educação. Distritos como Iguatemi e Lajeado, situados na zona leste, têm um dos menores índices de escolaridade da população (5,8 e 5,9 anos, respectivamente). As taxas de alfabetização também são as menores da cidade, atingindo 92% nesses bairros. Para tentar resolver a deficiência, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou que sete dos dez novos CEUs (Centro Educacional Unificado) serão construídos na zona leste.
“A zona leste tem um histórico muito grande de mobilização popular. O seminário serve como contraponto ao governo”, avalia Thais Bernardes, da Ação Educativa. Para ela, a realização do evento no campus leste da USP também serve para aproximar a universidade das comunidades. “A USP Leste tem pouquíssima integração com a região. Os professores e estudantes da zona leste não conhecem a universidade.”
 
Mobilização
Entre as ações prioritárias escolhidas pelos participantes está a criação de uma agência de comunicação da zona leste; a necessidade de dar mais autonomia e maior orçamento às subprefeituras; a criação de um comitê de sustentabilidade; a articulação das universidades com escolas públicas de educação básica para produção de conhecimento; e o fortalecimento da relação entre escola e família.
“Ter ações mais concretas facilita a continuidade de mobilização das pessoas ligadas à educação. Se não houver pessoas que façam isso, alguém vai fazer por nós, e muitas vezes isso vem de cima para baixo”, reflete Bernardes.

Cada grupo escolheu três propostas de ação prioritárias.
 
 
 
 
Fonte: http://portal.aprendiz.uol.com.br/2013/09/03/em-sao-paulo-seminario-propoe-solucoes-para-a-zona-leste/