quinta-feira, 19 de abril de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
Crônica do cotidiano no Jd. Lapenna - Escrita pelo Cometa
Compartilho esses momentos ao lado de Dona Antonia com vcs...
Enquanto isso em São Miguel - Jd. lapenna...
Encontrar Dona Antonia, mãe de Flávia e Flaviane, jovens que conhecemos no Galpão de Cultura e Cidadania, avó também da menina Eduarda, é sempre um aprendizado.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
A sabedoria de Dona Antonia sobre os jovens e a vida
Enquanto isso em São Miguel - Jd. lapenna...
Encontrar Dona Antonia, mãe de Flávia e Flaviane, jovens que conhecemos no Galpão de Cultura e Cidadania, avó também da menina Eduarda, é sempre um aprendizado.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
A sabedoria de Dona Antonia sobre os jovens e a vida
"O ser humano sabe que há outros seres que a ele se assemelham e aos quais poderá comunicar os sentimentos que experimenta, desde que os situe nas circunstâncias às quais deve suas penas e seus prazeres. Assim que ele conhece o que o comoveu, ele pode se exercitar e comover os outros, se estuda a escolha e o emprego dos meios de comunicação. É uma língua que ele deve aprender”.
Jacques Ranciére
Manhã de sol. O córrego do Lapenna exala o cheiro do extrato da cidade. Em meio aos efluentes advindos das indústrias que margeiam o Tietê, desde um pouco depois de Salesópolis, Mogi das Cruzes e, ao adentrar São Paulo, apesar da sinuosidade nem parece rio, somente na literatura e seus jogos de aliteração poética insistem em trazer à memória do narrador que se trata de um rio; pássaro Tiê, Tiê, mais Anhembi, Anhembi, água, água, numa quase melodia provoca outros sentidos e busca a afetividade e o entrelaçamento desse tecido vivo de histórias diversas e identidades.
Dentro desse espaço geográfico, Dona Antonia surge na viela que une a rua Almiro dos Reis com a Travessa Berigan. Passagem estreita, é verdade, mas como ela bem diz: “estreito também é o caminho desse mundão – cidade e a gente se espreme para poder atravessar esse mar Morto” – proclama Dona Antonia com o evangelho debaixo do braço, num desabafo misturado com oração. Como narrador nesse espaço de ler e ouvir, vivo, nesses últimos dias, com meus parceiros dessa lida de pensar, fazer, educar e ser educado, a definição de prioridades e impactos desejados, do que julgamos ser melhor para essa gente ribeirinha por necessidade, que vive as vulnerabilidades, sem ter condições de olhar com tempo e nem com todo o aprofundamento necessário para o que vive.
Sim, estive recentemente lá pelas bandas do Pacaembu, onde ouvi os pássaros a anunciar a chuva e imaginar pacas bebendo no rio, ou melhor, no veio d’água escondido debaixo do asfalto em que passam carros e nos dias de jogos passa torcida organizada, percebo que nossas asas estão livres para voar, porém nossos vôos precisam ser mais dirigidos, mais curtos, assim temos mais tempo para partilhar e convencer outros a aprender e voar nas rotas inerentes à nossa missão de voar e fazer voar e pensar numa nova forma de viver junto... Um sabiá solta o seu canto. Dona Antonia me convida, agora por aqui no Lapenna, para um café. Ela tem pela gente do Galpão um grande apreço. É que Flaviane e Flávia passaram dois anos no Galpão de Cultura e Cidadania juntamente com outros jovens e isso segundo ela fez muita diferença na vida delas. Dona Antonia diz que deveria existir muitos outros Galpões por ai.
“Essas meninas já estão no meio da travessia desse mundão que é essa cidade, estudando e trabalhando e pensando nos outros, em fazer o bem, isso é tão raro se ver”, não é verdade?” – indaga Dona Antonia coando o café. “O senhor vê, essa cidade côa as gentes. Olha aqui embaixo o que passou. O pó fica todo enlameado no coador, a sobra, sobrou e a gente joga esse borrão fora” – metaforiza Dona Antonia.
Aos poucos percebo, até no silêncio que se faz para saborear o café, que muitas vezes corremos o risco de fazer leituras enviesadas sobre o lugar. Leituras que, na tentativa de definir conceitos ou até mesmo um panorama social, só conhecemos efetivamente quando vivemos a experiência de uma escuta livre sobre as relações, formas e modos de viver nessas terras ribeirinhas, ou em tantos outros lugares, onde o rio é asfalto, e o asfalto é rio, nos morros, enfim, cada qual com identidades e singularidades coletivas e individuais.
Dona Antonia diz que perdeu o marido. A casa pequena, porém organizada, na porta uma mureta – barragem que impede um desconforto maior nos dias de “chuvarada das danada, em que até Arcanjo Miguel abre o guarda-chuva”, como lembra Dona Antonia da frase da católica Dona Glória. “Todo mundo fica igual, seja crente, seja católico, com água até a cintura. Deus quase desaparece e a gente vê refletida nossa esperança, nas águas que Deus tratou de mandar” – profetiza Dona Antonia.
Indago sobre o que prejudica a vida dos jovens, o que os enfraquecem e ela responde: “não o jovem não é fraco, ele é levado. Olha, lá no rio São Francisco, quem leva o jovem ou a jovem é mãe d’água, só que de outro jeito, outra história, outros significados, apesar de que lá tem muita miséria. Aqui parece com enchente de ambição. Não podem ver essas coisas, tranqueiras de usar, vestir e divertir, que já sai querendo tudo, sem às vezes ter necessidade.
Mas e nós Dona Antonia, os adultos?
- Nós adultos também não agimos diferente, não paramos de querer mais, fazemos tanto lixo, desperdiçamos tanto. Acho que nós criamos um cobreiro na pele do mundo, que já entrou nos órgãos da terra. Precisamos ter consciência, curar as feridas e parar de ferir. Como consumimos sem consciência!
Claro – profere Dona Antonia, 57 anos, moradora do Jardim Lapenna – que o jovem daqui sabe diferenciar e tem sabedoria para escolher, mas essa febre de ser aquilo que dizem para que todos sejam. Comer essas tranqueiras que estão na televisão, se vestir igual com esses tecidos de petróleo... Parece uma enchente que leva em suas águas a juventude, sobretudo os mais pobres, a muitas vezes afundar ou se perder nessas profundezas de tudo igual, fica sem o que a pessoa é, entra no enxame, só para dizer que ta dentro, mas nem sabe o que tá fazendo dentro.”
Entre alguns “uais”, interjeições e palavreado mineiro, Dona Antonia olha para a bíblia sorrateiramente e, após pigarrear, compondo experiência com propriedade, se refere à escola do lugar como muito distante dos jovens, como ela diz “parece que a escola está em outra vila”.
“Os jovens não estão na escola e nem na comunidade, aqui do lugar. Eu sei que eles podem estar em tantos lugares como coisas da internet, telefone sem fio e outros transporte de som e luz, conheci isso quando fiz um curso no Galpão sobre a comunicação, mas eles, os jovens, têm que estar aqui também, sabe, lutando e ajudando pelas melhorias da escola e do lugar. Afinal, tudo é uma coisa só. Uai, a casa não está na rua do bairro, junto com a escola que está aqui na Vila, e a Vila, as ruas, a casa não estão dentro da cidade, e a cidade não está dentro do estado, e daí dentro do país, da América, do mundo?... Ai que saudade de Minhas Gerais” – lembra Dona Antonia.
“Sabe quando vejo as escolas reunidas no Galpão, as crianças e os professores lendo, os jovens e os adultos cantando, tocando instrumentos, as meninas filmando, penso, olha só, ai tem um caminho. Minhas filhas trabalhando, escrevem bem, aprenderam tanta coisa, só vendo. Acho que é possível mudar, foi que você perguntou, não foi, Cometa?”
- Foi sim Dona Antonia, aprendi muito. Nossa ! preciso voltar para o Galpão. Vamos prosear mais num outro dia?
- Claro, casa de mineiro - paulista sempre ta aberta. Ah, vem ver, antes de ir embora a Eduarda, filha de Flávia, ela está linda.
José Luiz Adeve - Cometa
terça-feira, 27 de março de 2012
Ponteio
Olá Pessoas, Parceiros, Parceiras dessa roda
As manhãs no Galpão são também compostas de visitas espontâneas, gente que apesar de já ser da casa, faz questão de um prosear novo, cumpliciade das descobertas, seja da lida dos intrumentos arteculturalizados, criança leitura, criança dança, criança vozes, criança jornal, adulto livro, as famílias... Jovens em um espaço de descobrir e sentir, turma do Eja no letramento da vida, garotos e garotas a comunicarem seus desejos e visões, educadores de tantos cantos e causos, enfim um múltiplo ponteio nesse outono, nesse nosso dia a dia de pensar e fazer junto...Chegamos a nós mesmos pelo outro, sem nunca parar em nós...Muitas vezes ficamos tristes, parece q tudo se esvai, tudo por um quase não - acontecer, há muitos desafios em cada esquina, curva, casa, beco, barraco, córrego, mas o ponteio continua e a viola da alma é reafinada. Aprendemos a aprender sempre.
Cometa (Coordenador do Núcleo de Comunicação São Miguel no Ar)
Ponteio de três mundos e um Galpão
Numa terça – feira, manhã de verão, na várzea paulistana do Tietê,
adentram, cada qual num tempo, a sala de um Galpão rizomático,
onde coletivamente desenvolvem-se ações arte – comunicacionais,
para fazer valer um processo no qual acreditamos
que sua finalidade é contribuir para o entendimento mútuo no mundo social,
numa constante espécie de pedagogia da interação
nesses novos tempos – espaços de experiências perceptivas,
para que as pessoas, a gente possa distinguir
problemas do mundo objetivo
e problemas do mundo social.
Sim, os três mundos,
objetivo, social e subjetivo,
numa manhã, fundem-se.
A viola e o fazedor de instr umento
contam “causo” verdadeiro
do encontro com o jacarandá
e, para o auscultador, eterno aprendiz,
ali está o mundo objetivo.
Senhor José Antonio Pereira
com seu imaginário “entre – laçante”
de cordas, bojo, trastes, tampo e tarraxas,
numa arquitetura vital de viola – vida
e de vida – viola, diante da oikonomia tolerante
criada além do pai, para o filho e o espírito santo,
que por “crença de acreditar” na boa aventurança material,
ao longo dos séculos deixou de potencializar o imaterial
como o bendito fruto simbólico como a certeza mais certa.
Mas o ponteio de José Antonio em cordas de verão,
esse tilintar ressoa na alma e pode ser amplificado
nas paisagens pós- urbanas, pós- humanas,
e provoca emotividade, nesse “ artesanar - josé”
e seu consequente ponteio, fusão harmônica
de sentido e verdade, evidente concepção de realidade,
compondo um contraponto do agora – acorde e seus harmônicos a ultrapassar as paredes
e se misturarem aos sons dos pássaros e das obras para harmonizar o lugar,
lugar de fio tênue entre o bem e o mal, ambos resultados de movimentos, uma espécie
de meta – sócio – geografia enquanto ação comunicativa, a partir da interação
do momentâneo auscultador e, ao mesmo tempo resistimos
a um pragmatismo formal com suas probabilidades
de produzir uma falsa semântica da verdade.
Ainda dentro da sala com potencialidades para metassensibilidades
o senhor Cláudio com sua arte vindo da rua
quebra poeticamente a racionalidade
e a continuidade compreendida
pela fronteirização citadina,
entre muros, entre medos,
entre vilas, ele relata
descobertas, fontes
de memória viva,
intersubjetividades
que se alimentam
de um com – sentir,
compartilhar e de um somar
de evidência imaterial e material,
pois Sr. Cláudio, além de poeta trabalha
na obra de um coletor, ou seja, uma rede
com seus desdobramentos, conexões com casas,
gentes, portanto também simboliza o mundo social.
Claro, caro leitor, que o auscultador,
nesse momento redator, cria seus códigos,
símbolos e signos, pois existe o desejo
de que esses encontros casuais ou não,
alimentem e fortaleçam suas convicções
de que ações / momentos arte – comunicativos
levem a um pensar – re – pensar, ampliar,
descobrir caminhos, vias, fluxos, até mes mo
patologias de comunicação que podem,
é claro, provocar também confusões
entre as estratégias pensadas
por poucos enquanto
intenção de estímulo
à emancipação,
à legitimidade
descobertas,
sentimentos,
sentidos a revelar a riqueza da descontinuidade e surpreendentes respostas
desse “terceiro mundo das reivindicações da verdade”,
o mundo subjetivo - da personalidade
também componente "da insistente
definição de racionalidade
que necessita ser desafiada
pelo pensamento da complexidade
e suas diferentes declinações de totalidade
a viver a linguagem de nossa esperança, nossa vocação e de nossa coragem". - (trecho em itálico Edgard Morin)
segunda-feira, 26 de março de 2012
Exposição Arte e Ciências na Escola
quinta-feira, 8 de março de 2012
Lei Maria da Penha em Cordel
Tião e seu simpático cordel... "Lei Maria da Penha", para que ninguém esqueça que Mulher é para ser amada e respeitada... Sempre! Parabéns para Todas as Mulheres e também para os homens que amam e respeitam as mulheres que fazem parte da sua vida.
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
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